If happy little bluebirds fly
Beyond the rainbow
Why, oh why, can't I?
Books, Burguers (e Blá-Blá-Blá)
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Dupla Falta - ou - Veste, que a carapuça é sua.
"Pois Willy jamais entendeu como alguém podia ser responsabilizado pelas próprias emoções. Pelo que podia perceber, as circunstâncias lhes deram cardápios diferentes, assim como o garçom de Lutèce. Em vez de não ter preços, o de Willy listava pratos diferentes: ressentimento rançoso, consternação cartilaginosa e despeito espinhoso, todos com um gostinho residual de remorso uma espécie de pombo coletivo. Após engolir o orgulho, a única sobremesa que caberia a Willy seria torta de humildade. Já o cardápio de Eric catalogava a haute cuisine emocional: solicitude tenra, preocupação doce e generosidade com creme. De fato, ela se perguntava se o próprio Eric não se cansava daquela dieta principesca, não ficava empanturrado com a própria decência e lhe cobiçava os berros. Era um homem agressivo, complicado. Nobreza e tolerância desde a manhã até a noite deveriam oprimi-lo como o espartilho a uma mulher.
- Esta situação também não é fácil para mim - Eric contestou, as mãos na cintura. - Eu também tenho problemas.
- Ah, é? - Willy indagou com malícia. - Me diga um.
- Quando eu ganho, você sofre. Então, de que me vale uma vitória? Como você acha que me senti em Forest Hills hoje, com a namorada do meu adversário torcendo na primeira fila? Onde você estava? E eu chego em casa e você nem pergunta se eu ganhei!
- É óbvio que você ganhou, Eric. As ondas de orgulho exalam de você como se fossem um perfume.
- Está vendo? - ele abanou os braços; aumentou o tom de voz. - Eu dei um duro hoje e você acha que eu tenho que me desculpar. Além do mais, como eu posso sentir prazer porque meu jogo vai bem se você vai para cama chorando?"
Dupla Falta
Lionel Shriver - p. 284 - 285
(Faz tempo que li Dupla Falta. Tempo faz, também, que esse trecho me atormenta. Infelizmente, nada mudou desde então.)
- Esta situação também não é fácil para mim - Eric contestou, as mãos na cintura. - Eu também tenho problemas.
- Ah, é? - Willy indagou com malícia. - Me diga um.
- Quando eu ganho, você sofre. Então, de que me vale uma vitória? Como você acha que me senti em Forest Hills hoje, com a namorada do meu adversário torcendo na primeira fila? Onde você estava? E eu chego em casa e você nem pergunta se eu ganhei!
- É óbvio que você ganhou, Eric. As ondas de orgulho exalam de você como se fossem um perfume.
- Está vendo? - ele abanou os braços; aumentou o tom de voz. - Eu dei um duro hoje e você acha que eu tenho que me desculpar. Além do mais, como eu posso sentir prazer porque meu jogo vai bem se você vai para cama chorando?"
Dupla Falta
Lionel Shriver - p. 284 - 285
(Faz tempo que li Dupla Falta. Tempo faz, também, que esse trecho me atormenta. Infelizmente, nada mudou desde então.)
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Diálogo
- Minha filha, em quem você vai votar?
- Ah, pai, vou anular meu voto.
- Não! Não pode!
- Como não? Esse ano tá impossível escolher um candidato, pai.
- Mas o Russomano não pode ganhar. Veja quem pode ameaçá-lo no segundo turno e vote nesse candidato.
- Não sei, pai...
- Adriana, eu voto no Fernandinho Beira-Mar, mas não voto no Russomano.
A dúvida é: quem vota?
- Ah, pai, vou anular meu voto.
- Não! Não pode!
- Como não? Esse ano tá impossível escolher um candidato, pai.
- Mas o Russomano não pode ganhar. Veja quem pode ameaçá-lo no segundo turno e vote nesse candidato.
- Não sei, pai...
- Adriana, eu voto no Fernandinho Beira-Mar, mas não voto no Russomano.
A dúvida é: quem vota?
terça-feira, 2 de outubro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Beija eu, beija eu, beija eu, me beija
Logo que a aulas dos pequenos acaba, todos vêm correndo ao meu encontro para me encher de beijos. Sou salpicada de bocas molhadas enquanto eles gritam "Bye-bye, teacher" a plenos pulmões. Depois de ser derrubada no chão algumas vezes, estabeleci que eles deveriam vir até mim de maneira ordenada, um de cada vez, preferencialmente. Assim estava sendo até que chegou a vez de Luz Felipe. Ele mirou minha boca e mergulhou. Consegui me esquivar a tempo, mas ele não se deu por vencido - ele se empenhou em me beijar mais uma vez. Na terceira tentativa, Luiz Felipe chegou até mesmo a segurar meu rosto, rindo. Vi-me forçada a indagá-lo.
- O que você está fazendo, Luiz?
- Tô tentando beijar sua mouth, teacher. Mas você não para quieta!
- Porque não pode beijar a minha mouth, Luiz.
- Eu beijo a mouth da minha mother...
- Porque ela é a sua mother, querido.
- Mas, teacher, eu gosto de você igual eu gosto da minha mother.
Foi isso {} que faltou para eu eu me tornar comunista!
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Cinquenta tons de cinza X Sabrina - Meu amor é você (um post longo)
Tenho vários desses romances de banca de jornal aqui em casa - quando estava na faculdade, tive que fazer um trabalho sobre eles. Escolhi um por acaso (tive que me segurar muito para não jogar todos para o alto, fechar os olhos e pegar um no ar. rs.). Sabrina - Meu amor é você. Reli o bendito. E selecionei alguns trechos. Trechos que lembram, e muito!, Cinquenta tons de cinza.
Proponho, então, uma brincadeira. Transcreverei trechos de ambos os livros substituindo os nomes das personagens por Paul e Mary. E quero ver quem identifica, sem medo, um e outro. 1, 2, 3 e... VALENDO!
Trecho 1 - Mary, nossa ovelhinha, descreve Paul, lindo, tesão, bonito e gostosão, e nos brinda com algumas das reações que ele provoca nela.
(A) Muito jovem. E atraente, muito atraente. É alto, está vestindo um belo terno cinza, camisa branca e gravata preta, tem o cabelo revolto acobreado e olhos cinzentos vivos que me olham com astúcia. Custo um pouco a conseguir falar.
(...) Aturdida, coloco minha mão na dele e nos cumprimentamos. Quando nossos dedos se tocam, sinto um arrepio excitante me percorrer. Retiro a mão rapidamente, envergonhada."
(B) "(...) Mas, quando o carro parou e um rapaz louro foi ao seu encontro, viu algo de familiar nele. O andar, o corpo atlético, tudo enfim atraiu seu olhar de admiração. A sexualidade do homem era impressionante.
Tão logo o recém-chegado aproximou-se, Mary entrou em pânico. Mas era tarde demais, pois ele já havia arrancado os óculos escuros de seu rosto e examinava-a cuidadosamente.
Chocada pelo encontro inesperado, Mary não conseguiu dizer uma só palavra. Apenas fitava aqueles olhos acinzentados que sempre achara fascinantes. Às vezes adquiriam tonalidades variadas, indo do marrom-esverdeado ao castanho-amarelado. No momento expeliam uma hostilidade que a fez tremer.
Sentiu a mão firme segurar-lhe o cotovelo. O toque perturbou-a e ela puxou o braço." (Uma observação aqui: seria Paul a Mística? Sim, porque só um X-Men tem olhos acinzentados cuja cor varia do marrom-esverdeado ao castanho-amarelado.)
Trecho 2 - Aqui, Mary, nossa mocinha confusa, vulnerável e atrapalhada, sofre um pequeno acidente. O Macho alfa, Paul, "salva" a heroína, claro. Ele tem tanto tesão por ela que não consegue soltá-la depois disso. Ai, que calor... só que não.
(A) "(...) Por tudo isso, ela precisava manter distância.
Mas, quando virou o rosto, enxergou-o fitando seus lábios entreabertos, como se a beijasse com os olhos. Mary ficou imóvel, enquanto ele amarrava as pontas do salva-vida sob seu queixo trêmulo e sobre o peito.
Quando John manobrou na baía, ela não estava preparada para a repentina guinada do barco. Caiu para trás e, graças aos reflexos rápidos de Paul, foi apanhada pela cintura a tempo de evitar um golpe na cabeça.
Mais tarde Mary concluiu que Paul poderia tê-la largado assim que recuperou o equilíbrio. Em vez disso, escorregou as mãos até seus quadris, segurando-a firme contra o corpo."
(B) "(...) Tenho que me afastar dele. Sigo em frente e tropeço, me estatelando no meio da rua.
Ele puxa tão forte minha mão que caio em cima dele bem na hora em que um ciclista passa a toda na contramão, e por um triz não me atropela.
Tudo acontece muito depressa - de repente estou caindo, e em seguida ele está me apertando com força junto ao peito. Inspiro seu cheiro limpo e agradável. Ele exala um perfume de roupa recém-lavada e algum gel de banho caro. É embriagador, e inspiro profundamente.
- Você está bem? - murmura ele.
Um de seus braços está em volta de mim, prendendo-me a ele, enquanto os dedos da outra mão percorrem meu rosto, sondando-me com delicadeza. Seu polegar roça o meu lábio inferior e sua respiração falha. Ele está me olhando nos olhos, e fixo aquele seu olhar ansioso e ardente por um momento, ou talvez para sempre... mas minha atenção é atraída para a sua linda boca."
Trecho 3 - Tirem as crianças da sala porque, nesse momento, explode a paixão entre Paul e Mary. Quero explodir minha cabeça!
(A) "Com enorme ligeireza beijou-a, permitindo que Mary descarregasse a energia armazenada dentro de si, e prestes a estourar.
Ela não ignorava o que aconteceria se Paul continuasse tocando-a. Cada partícula, cada célula, cada átomo de seu corpo explodiria acendendo uma chama voraz.
Os lábios dele tocavam seu pescoço, e cada beijo levava a outro, a mais outro. De súbito, o cabelo de Mary despencou em verdadeira cascata nas mãos de Paul.
- Santo Deus! - ele murmurou ao dar o último passo que faltava para comprimir seu corpo rígido contra ao dela, os quadris colados um ao outro. - Que cheiro divino.
Apesar de tudo, no íntimo, desejava se incendiar naquela fogueira. Mas, com esforço, murmurou:
- Chega! Não mais.
Porém Paul conservou-a junto a si, beijando-lhe os lábios e trazendo-a de volta à vida.
- Vá embora, Paul!
- Irei quando achar que devo ir. - Ele falava de maneira ameaçadora.
Apanhou a lanterna e colocou-a perto do rosto de Mary. Ergueu a outra mão e, com o polegar, num gesto sensual, esfregou os lábios dela, inchados, que ainda conservavam os vestígios da paixão que haviam partilhado..
- Só assim poderemos nos entender - Paul disse. E não comece a psicanalizar meus sentimentos a menos que esteja preparada para passar por mais experiências como a que acabou de ter."
(B) "Ele se atira em cima de mim, empurrando-me contra a parede do elevador. Quando me dou conta, uma das mãos dele já está apertando com força minhas mãos acima da minha cabeça. Sua outra mão agarra meu cabelo e o puxa para baixo, deixando-me com o rosto virado para cima, e seus lábios colam nos meus. Solto um gemido em sua boca, proporcionando uma abertura para sua língua. Ele aproveita inteiramente o espaço, a língua explorando habilmente a minha boca. Minha língua afaga timidamente a dele e as duas se unem numa dança lenta e erótica se encostando e se sentindo. Ele levanta a mão para segurar meu queixo e me mantém no lugar. Estou indefesa, as mãos presas, a cabeça imobilizada, e os quadris dele me comprimindo."
Proponho, então, uma brincadeira. Transcreverei trechos de ambos os livros substituindo os nomes das personagens por Paul e Mary. E quero ver quem identifica, sem medo, um e outro. 1, 2, 3 e... VALENDO!
Trecho 1 - Mary, nossa ovelhinha, descreve Paul, lindo, tesão, bonito e gostosão, e nos brinda com algumas das reações que ele provoca nela.
(A) Muito jovem. E atraente, muito atraente. É alto, está vestindo um belo terno cinza, camisa branca e gravata preta, tem o cabelo revolto acobreado e olhos cinzentos vivos que me olham com astúcia. Custo um pouco a conseguir falar.
(...) Aturdida, coloco minha mão na dele e nos cumprimentamos. Quando nossos dedos se tocam, sinto um arrepio excitante me percorrer. Retiro a mão rapidamente, envergonhada."
(B) "(...) Mas, quando o carro parou e um rapaz louro foi ao seu encontro, viu algo de familiar nele. O andar, o corpo atlético, tudo enfim atraiu seu olhar de admiração. A sexualidade do homem era impressionante.
Tão logo o recém-chegado aproximou-se, Mary entrou em pânico. Mas era tarde demais, pois ele já havia arrancado os óculos escuros de seu rosto e examinava-a cuidadosamente.
Chocada pelo encontro inesperado, Mary não conseguiu dizer uma só palavra. Apenas fitava aqueles olhos acinzentados que sempre achara fascinantes. Às vezes adquiriam tonalidades variadas, indo do marrom-esverdeado ao castanho-amarelado. No momento expeliam uma hostilidade que a fez tremer.
Sentiu a mão firme segurar-lhe o cotovelo. O toque perturbou-a e ela puxou o braço." (Uma observação aqui: seria Paul a Mística? Sim, porque só um X-Men tem olhos acinzentados cuja cor varia do marrom-esverdeado ao castanho-amarelado.)
Trecho 2 - Aqui, Mary, nossa mocinha confusa, vulnerável e atrapalhada, sofre um pequeno acidente. O Macho alfa, Paul, "salva" a heroína, claro. Ele tem tanto tesão por ela que não consegue soltá-la depois disso. Ai, que calor... só que não.
(A) "(...) Por tudo isso, ela precisava manter distância.
Mas, quando virou o rosto, enxergou-o fitando seus lábios entreabertos, como se a beijasse com os olhos. Mary ficou imóvel, enquanto ele amarrava as pontas do salva-vida sob seu queixo trêmulo e sobre o peito.
Quando John manobrou na baía, ela não estava preparada para a repentina guinada do barco. Caiu para trás e, graças aos reflexos rápidos de Paul, foi apanhada pela cintura a tempo de evitar um golpe na cabeça.
Mais tarde Mary concluiu que Paul poderia tê-la largado assim que recuperou o equilíbrio. Em vez disso, escorregou as mãos até seus quadris, segurando-a firme contra o corpo."
(B) "(...) Tenho que me afastar dele. Sigo em frente e tropeço, me estatelando no meio da rua.
Ele puxa tão forte minha mão que caio em cima dele bem na hora em que um ciclista passa a toda na contramão, e por um triz não me atropela.
Tudo acontece muito depressa - de repente estou caindo, e em seguida ele está me apertando com força junto ao peito. Inspiro seu cheiro limpo e agradável. Ele exala um perfume de roupa recém-lavada e algum gel de banho caro. É embriagador, e inspiro profundamente.
- Você está bem? - murmura ele.
Um de seus braços está em volta de mim, prendendo-me a ele, enquanto os dedos da outra mão percorrem meu rosto, sondando-me com delicadeza. Seu polegar roça o meu lábio inferior e sua respiração falha. Ele está me olhando nos olhos, e fixo aquele seu olhar ansioso e ardente por um momento, ou talvez para sempre... mas minha atenção é atraída para a sua linda boca."
Trecho 3 - Tirem as crianças da sala porque, nesse momento, explode a paixão entre Paul e Mary. Quero explodir minha cabeça!
(A) "Com enorme ligeireza beijou-a, permitindo que Mary descarregasse a energia armazenada dentro de si, e prestes a estourar.
Ela não ignorava o que aconteceria se Paul continuasse tocando-a. Cada partícula, cada célula, cada átomo de seu corpo explodiria acendendo uma chama voraz.
Os lábios dele tocavam seu pescoço, e cada beijo levava a outro, a mais outro. De súbito, o cabelo de Mary despencou em verdadeira cascata nas mãos de Paul.
- Santo Deus! - ele murmurou ao dar o último passo que faltava para comprimir seu corpo rígido contra ao dela, os quadris colados um ao outro. - Que cheiro divino.
Apesar de tudo, no íntimo, desejava se incendiar naquela fogueira. Mas, com esforço, murmurou:
- Chega! Não mais.
Porém Paul conservou-a junto a si, beijando-lhe os lábios e trazendo-a de volta à vida.
- Vá embora, Paul!
- Irei quando achar que devo ir. - Ele falava de maneira ameaçadora.
Apanhou a lanterna e colocou-a perto do rosto de Mary. Ergueu a outra mão e, com o polegar, num gesto sensual, esfregou os lábios dela, inchados, que ainda conservavam os vestígios da paixão que haviam partilhado..
- Só assim poderemos nos entender - Paul disse. E não comece a psicanalizar meus sentimentos a menos que esteja preparada para passar por mais experiências como a que acabou de ter."
(B) "Ele se atira em cima de mim, empurrando-me contra a parede do elevador. Quando me dou conta, uma das mãos dele já está apertando com força minhas mãos acima da minha cabeça. Sua outra mão agarra meu cabelo e o puxa para baixo, deixando-me com o rosto virado para cima, e seus lábios colam nos meus. Solto um gemido em sua boca, proporcionando uma abertura para sua língua. Ele aproveita inteiramente o espaço, a língua explorando habilmente a minha boca. Minha língua afaga timidamente a dele e as duas se unem numa dança lenta e erótica se encostando e se sentindo. Ele levanta a mão para segurar meu queixo e me mantém no lugar. Estou indefesa, as mãos presas, a cabeça imobilizada, e os quadris dele me comprimindo."
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Cinquenta tons de cinza
Foram duas pessoas na mesma semana que recomendaram que eu lesse Cinquenta tons de cinza. Duas amigas cujas escolhas literárias eu costumo respeitar. Ambas disseram que o livro fez com que elas repensassem suas vidas sexuais. "Muito sexy" foram palavras repetidas à exaustão pelas duas. Mantive-me reticente até que uma delas me desafiou e disse que duvidava que eu chegasse ao final dos tais tons sem estar encantada por eles. Pois eu li. De coração aberto. E detestei.
Cinquenta tons de cinza nada mais é do que um Sabrina, Bianca ou Julia da vida - um cara muito rico, muito tesudo, muito lindo, muito inteligente, muito sagaz, muito tudo, se apaixona por uma mulher que é bonita, mas não tem consciência da sua beleza e esse cara perfeito enche-a de presentes e move mundos e fundos para conquistá-la. Minto. Aliás, corrijo-me: Cinquenta tons de cinza nada mais é do que um Sabrina, Bianca ou Julia da vida, mas com modernidades - há Audis, MacBooks Pro, BlackBerries. "Ah, mas Cinquenta tons é diferente, ele é meio pornô." Numa boa? Os termos usados para descrever as relações sexuais do livro moderninho são os mesmo dos termos usados nos livros mais antigos; os mamilos da Anastasia Steele ficam tão "intumescidos" quanto o de qualquer personagem feminina de Julia. Ou de Sabrina. De Bianca. Ou de Pafúncia.
Liguei para a amiga do "eu duvido". "Ai, amiga, você não gostou porque é mais racional do que eu."
Não, não. Eu não gostei porque, além de todas as coisas que já mencionei, Cinquenta tons de cinza é mal escrito. Para. Cacete. (e com esse cacete, fui mais lasciva do que o livro inteiro.)
Cinquenta tons de cinza nada mais é do que um Sabrina, Bianca ou Julia da vida - um cara muito rico, muito tesudo, muito lindo, muito inteligente, muito sagaz, muito tudo, se apaixona por uma mulher que é bonita, mas não tem consciência da sua beleza e esse cara perfeito enche-a de presentes e move mundos e fundos para conquistá-la. Minto. Aliás, corrijo-me: Cinquenta tons de cinza nada mais é do que um Sabrina, Bianca ou Julia da vida, mas com modernidades - há Audis, MacBooks Pro, BlackBerries. "Ah, mas Cinquenta tons é diferente, ele é meio pornô." Numa boa? Os termos usados para descrever as relações sexuais do livro moderninho são os mesmo dos termos usados nos livros mais antigos; os mamilos da Anastasia Steele ficam tão "intumescidos" quanto o de qualquer personagem feminina de Julia. Ou de Sabrina. De Bianca. Ou de Pafúncia.
Liguei para a amiga do "eu duvido". "Ai, amiga, você não gostou porque é mais racional do que eu."
Não, não. Eu não gostei porque, além de todas as coisas que já mencionei, Cinquenta tons de cinza é mal escrito. Para. Cacete. (e com esse cacete, fui mais lasciva do que o livro inteiro.)
sábado, 8 de setembro de 2012
Diálogo imaginário (mas altos possível)
(Ciclopeando o que há de bom)
(Podemos nos ater à vermelhidão do meu olho e não falarmos sobre meu ligeiro estrabismo? Grata!)
- Como assim, Adriana? Conjuntivite?
- Assim. Conjuntivite.
- Mas... de novo?
- De novo. Oitava vez em dez meses.
- E o feriado?
- Feri-o-quê?
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Psicologia canina
Desde a reforma, minhas cachorras operam em modo Cujo. Faz quase três semanas que nenhum pedreiro aparece oficialmente aqui em casa, mas elas não se importam. Dona late noite sim, noite também; Nina destrói tudo o que encontra pela frente. Elas mataram um gato recentemente como demonstração de poder. "Mas que linda a Nina. Toda caçadora", exultou meu pai, que não viu os restos mortais do gato às 8 horas da manhã, tampouco desembolsou 200 reais para que o cadáver fosse removido do quintal. Achei a solução depois de assistir "Os Pinguins do Papai" - estou trabalhando com ameaças. Agora, toda vez que alguma delas apronta, eu sibilo "Se vocês não se comportarem, troco as duas por pinguins".
Tem funcionado.
Tem funcionado.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Er...
Daí, né, que o último post foi tão trabalhado no ódio que me esqueci de perguntar quem são as personagens femininas que vocês mais detestam! É muito tarde para uma enquete?
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Top 5 personagens femininas mais detestáveis da literatura
Mulher já é um bicho difícil, né? E essas aqui, mesmo que "de mentirinha", são absolutamente insuportáveis.
1. Briony - Reparação - Ian McEwan (Eu poderia escrever um TCC sobre o porquê de Briony ser a mais detestável de todas as personagens femininas já criadas no mundo da literatura, mas resumirei dizendo que ela é dissimulada desde a mais tenra idade E que achou que escrever um livro para dar um final feliz a pessoas que ela prejudicou seria uma boa redenção.)
2. Sofía - O Passado - Alan Pauls (Faz um tempão que li "O Passado", mas a irritação por Sofía perdura. Rímini foi covarde? Sim! Mas siga com a sua vida, pelo amor de Deus, sua demente!)
3. Willy - Dupla Falta - Lionel Shriver (Uma palavra: Mimada. E egocêntrica. Competitiva. Invejosa. Oquei, foram algumas palavras. Roubei, tá legal?)
4. Juliana - O Primo Basílio - Eça de Queirós (Juliana do livro me dá ódio. A Juliana da Marília Pera me dá muito medo.)
5. A Rosa - O Pequeno Príncipe - Saint- Exupéry (A Rosa é campeã porque no meio de tanta chatice ela consegue se destacar como A mais chata. Não é para qualquer personagem, não.)
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
How do you say ... in English?
Minhas crianças têm as dúvidas mais estranhas em se tratando de palavras em inglês. "Teacher, como se fala gavião?" "Teacher, como se fala caca de nariz?" "Teacher, como se fala cuequinha suja?" Por isso, respirei aliviada quando a palavra escolhida foi caixa.
- Box. - respondi prontamente.
No mesmo minuto, Luiz Felipe, que geralmente é mais quietinho, resolveu contribuir com a aula.
- Teacher, na minha casa tem um box. O box do chuveiro.
Sorri. E então Gustavo deu uma segunda contribuição.
- Teacher, teacher, sabia que o meu pai, ele usa cueca box?
- Box. - respondi prontamente.
No mesmo minuto, Luiz Felipe, que geralmente é mais quietinho, resolveu contribuir com a aula.
- Teacher, na minha casa tem um box. O box do chuveiro.
Sorri. E então Gustavo deu uma segunda contribuição.
- Teacher, teacher, sabia que o meu pai, ele usa cueca box?
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Confissão da meia noite
"I am biscating now, I don't want a romance."
Podia ser mais uma frase do "keep calm" ("Keep calm and biscate a lot", why not? rs.), mas foi só a mensagem que acabei de receber da minha aluna.
Postado por Adriana L., tradutora-intérprete, professora, doutorada em SMS e insone.
Podia ser mais uma frase do "keep calm" ("Keep calm and biscate a lot", why not? rs.), mas foi só a mensagem que acabei de receber da minha aluna.
Postado por Adriana L., tradutora-intérprete, professora, doutorada em SMS e insone.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Das coisas que me fazem chorar
"Adriana e Gustavo
Neste Dia do Amigo, meu beijo e meu abraço a vocês que, além de meus filhos, são meus únicos amigos.
Seu pai,
Antonio"
Neste Dia do Amigo, meu beijo e meu abraço a vocês que, além de meus filhos, são meus únicos amigos.
Seu pai,
Antonio"
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Alô, Freud!
- Estamos idênticas hoje, Adriana! Que incrível! - ela disse, deliciada, ao notar que ambas trajávamos casaco camelo, malha rosa e jeans escuros. Ela, minha terapeuta.
terça-feira, 3 de julho de 2012
...
A moça estava andando de patinete pelo parque. Primeiro dia de suas férias. E então ela caiu. Não sei se fez uma curva muito aberta, se ia muito rápido e deu com uma pedra. Sei que essa moça, que tinha 29 anos, caiu, bateu a cabeça no meio fio e morreu.
Viajaram para prestigiar o casamento de amigos em Trancoso. Esticaram a viagem para comemorar o dia dos namorados em grande estilo. O trigésimo sexto juntos. Jantaram. Trocaram presentes e juras de amor. Um pouco indisposta, ela resolveu ir até o posto de saúde próximo. "Quer que eu te acompanhe?", perguntou a amiga. "Não, não. Estou bem. Fica e assiste a novela para depois me contar". Chegou andando ao posto de saúde. E infartou. Uma. Duas. Três vezes. Morreu no dia dos namorados, deixando marido apaixonado, filhos queridos e netinhos gêmeos.
(Eu queria muito entender o critério divino.)
domingo, 1 de julho de 2012
2 em 1
Sempre soube não ser a pessoa preferida de pessoa alguma, mas nunca doeu tanto como agora.
(Eu mesma tenho uma pessoa preferida. Desde 2007. E isso me faz feliz.)
***
"O Crisóstomo então levantou-se, atravessou o quarto, saiu, foi ver o Camilo deitado e beijá-lo para dormir e disse-lhe: nunca limites o amor, filho, nunca por preconceito algum limites o amor. O miúdo perguntou: porque dizes isso, pai. O pescador respondeu: porque é o único modo de também tu, um dia, te sentires o dobro do que és.".
O filho de mil homens (o livro mais lindo que li nos últimos tempos)
Valter Hugo Mãe - p. 128
domingo, 24 de junho de 2012
O filho de mil homens
"Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo.
Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas.
Via-se metade ao espelho e achava tudo demasiado breve, precipitado, como se as coisas lhe fugissem, a esconderem-se para evitar a sua companhia. Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía."
O filho de mil homens
Valter Hugo Mãe - p. 11
Esses são os três parágrafos iniciais do livro apenas. Parece que Valter Hugo Mãe e eu vamos, enfim, fazer as pazes.
Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas.
Via-se metade ao espelho e achava tudo demasiado breve, precipitado, como se as coisas lhe fugissem, a esconderem-se para evitar a sua companhia. Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía."
O filho de mil homens
Valter Hugo Mãe - p. 11
Esses são os três parágrafos iniciais do livro apenas. Parece que Valter Hugo Mãe e eu vamos, enfim, fazer as pazes.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Catorze de junho de dois mil e doze
Perdi a noção de quanto tempo fiquei parada na faixa de pedestres olhando os carros passarem, querendo saber para onde estou indo.
***
- Teacher, como é que fala "foto" em inglês?
- Picture.
- Teacher, posso tirar uma picture sua?
- Pode, Ana.
- Posso ver a picture, teacher? Posso?
- Claro que sim, querida. Come here, sit on my lap.
- Teacher, você tá com cara de triste na picture. Você tá triste?
- Eu tô, Ana.
- Não fica triste, teacher. Eu amo você. E o papai do céu também.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Caixa de entrada
Um exemplo claro de como é fácil me fazer sorrir numa segunda-feira chuvosa. 'Brigada, Nata!
"como estamos com a reforma?
"como estamos com a reforma?
já quebrou tudo? agora tá reconstruindo?
sua terapeuta já usou isso como metáfora pra vida?"
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Ma babies
- Teacher, teacher, como é que fala "glutão" em inglês?
Tentei processar a informação de que uma criança de cinco anos estava usando a palavra "glutão" numa frase. Não consegui.
- Glutão, Enrico?
- É, teacher. "Glutão". Uma criança que come muito, sabe?
(Oi, Deus! Tudo joinha aí em cima? Gravou bem essa cena? Ótimo: quero um filho igualzinho ao Enrico!)
Tentei processar a informação de que uma criança de cinco anos estava usando a palavra "glutão" numa frase. Não consegui.
- Glutão, Enrico?
- É, teacher. "Glutão". Uma criança que come muito, sabe?
(Oi, Deus! Tudo joinha aí em cima? Gravou bem essa cena? Ótimo: quero um filho igualzinho ao Enrico!)
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Por isso a gente acabou
"Ed, foi maravilhoso. Ficar gaguejando com você, ou mesmo parar de gaguejar e não dizer nada, era tanta sorte, tão fofo, uma conversa melhor que bater papo com qualquer outro. Depois de uns minutos a gente parava de fazer barulho, a gente se acomodava, e a conversa corria noite adentro. Às vezes eram só as risadas de comparar as preferências, adoro esse sabor, aquela cor é legal, aquele disco é horrível, nunca vi esse seriado, ela é legal, ele é um idiota, você está brincando, de jeito nenhum, o meu é melhor, seguro e hilário, como fazer cosquinhas. Às vezes eram histórias que a gente contava, se revezando e incentivando, não é chata, é legal, entendi, entendi, não precisa ficar dizendo, pode dizer de novo, nunca contei isso para ninguém, não vou contar para mais ninguém. (...) Ed, aquilo era tudo, aquelas noites no telefone, tudo que a gente dizia até tarde, ficava muito tarde e aí mais tarde e aí bem tarde e enfim para a cama com a orelha quente e cansada de segurar o telefone tão perto, pertinho, para não perder uma palavra do que quer que fosse, porque quem ia se importar com o meu cansaço no labutar enfadonho diurno sem o outro. Eu acabaria com qualquer dia, todos os dias, por essas longas noites com você, e foi o que fiz. Mas é por isso que já estava condenado, bem ali. A gente não podia ter só as noites de magia zumbindo pelos fios. A gente tinha que ter os dias, também, os belos e impacientes dias que estragavam tudo com os cronogramas inevitáveis, os horários obrigatórios que não se cruzavam, os amigos leais que não se gostavam, os absurdos imperdoáveis rasgados da parede independentemente das promessas feitas depois da meia-noite, e foi por isso que a gente acabou."
Por isso a gente acabou
Daniel Handler - p. 93-94
De tempos em tempos, preciso ler algo leve, preferencialmente algo que não me faça pensar na minha vida. Costumavam ser os livros da Marian Keyes, mas me dei conta de que o fato de eles serem classificados como chick lit não faz deles necessariamente leves - "Tem alguém aí?" me fez chorar horrores numa época em que eu não podia ficar triste. No ano passado, estava andando pela Livraria Cultura quando vi um lançamento. "Um dia", li na capa, branca e laranja. Li a orelha do livro e comprei-o certa de que ele em nada me afetaria. É. Pois é.
Eu apelei quando decidi ler "Por isso a gente acabou": literatura infantojuvenil. Tá, o título teoricamente não agregaria muitas alegrias ao meu dia a dia, mas o livro é ilustrado. Acho que desde a coleção Vaga-lume eu não lia um livro com ilustrações de página inteira. Não tinha como tirar meu sono certo? Claro que não; errado!
Eu tenho um jeito meio adolescente de ser, mas pensei em mais duas amigas durante a leitura (uma delas é você, Renata Borges! rs), duas amigas que, estou certa, também se identificariam com a Min, a personagem principal. Lembro que quando li "Abusado", do Caco Barcelos, fiquei loucona torcendo para o Marcinho VP se dar bem. E quando eu estava quase no final do livro, o cara, o Marcinho, foi assassinado na cadeia (Bangu 1? Não tenho certeza). Daí foi ainda pior porque fiquei torcendo para um bandido defunto. Isso é escrever bem. Para mim, pelo menos. A desgraça tá no título do meu livrinho juvenil. O casal do qual a Min faz parte não mais existe, o relacionamento acabou. E o que eu fiz? Fiquei até a última página lendo com dificuldades por causa dos meus dedinhos cruzados, na torcida para que não fosse nada daquilo porque eu além de estar precisando de literatura alegre (existe essa classificação?) eu gosto de finais felizes. Resumindo: trata-se de um livro infantojuvenil muito bem escrito. Para completar, uma das personagens tem o nome da minha terapeuta. Não é um nome comum. E agora, vou chegar lá na minha sessão na quarta-feira querendo gritar "sua escrota" para a doutora A. Porque o livro é bem escrito e eu sou influenciável assim.
A Min e o Ed formam um casal diferente. Diferente clichê americano: ela é geek e ele é jock. Nerd e atleta que se apaixonam. E os dois são absolutamente gostáveis. Acho que isso contribuiu um pouco para a minha descrença quando o final infeliz chegou: eu não conseguia ver qual dos dois terminaria o relacionamento. Nem o porquê.
1:57 da manhã. Tô acordada. Definitivamente escolherei um livro de receitas da próxima vez que quiser algo que não me faça pensar na vida.
Por isso a gente acabou
Daniel Handler - p. 93-94
De tempos em tempos, preciso ler algo leve, preferencialmente algo que não me faça pensar na minha vida. Costumavam ser os livros da Marian Keyes, mas me dei conta de que o fato de eles serem classificados como chick lit não faz deles necessariamente leves - "Tem alguém aí?" me fez chorar horrores numa época em que eu não podia ficar triste. No ano passado, estava andando pela Livraria Cultura quando vi um lançamento. "Um dia", li na capa, branca e laranja. Li a orelha do livro e comprei-o certa de que ele em nada me afetaria. É. Pois é.
Eu apelei quando decidi ler "Por isso a gente acabou": literatura infantojuvenil. Tá, o título teoricamente não agregaria muitas alegrias ao meu dia a dia, mas o livro é ilustrado. Acho que desde a coleção Vaga-lume eu não lia um livro com ilustrações de página inteira. Não tinha como tirar meu sono certo? Claro que não; errado!
Eu tenho um jeito meio adolescente de ser, mas pensei em mais duas amigas durante a leitura (uma delas é você, Renata Borges! rs), duas amigas que, estou certa, também se identificariam com a Min, a personagem principal. Lembro que quando li "Abusado", do Caco Barcelos, fiquei loucona torcendo para o Marcinho VP se dar bem. E quando eu estava quase no final do livro, o cara, o Marcinho, foi assassinado na cadeia (Bangu 1? Não tenho certeza). Daí foi ainda pior porque fiquei torcendo para um bandido defunto. Isso é escrever bem. Para mim, pelo menos. A desgraça tá no título do meu livrinho juvenil. O casal do qual a Min faz parte não mais existe, o relacionamento acabou. E o que eu fiz? Fiquei até a última página lendo com dificuldades por causa dos meus dedinhos cruzados, na torcida para que não fosse nada daquilo porque eu além de estar precisando de literatura alegre (existe essa classificação?) eu gosto de finais felizes. Resumindo: trata-se de um livro infantojuvenil muito bem escrito. Para completar, uma das personagens tem o nome da minha terapeuta. Não é um nome comum. E agora, vou chegar lá na minha sessão na quarta-feira querendo gritar "sua escrota" para a doutora A. Porque o livro é bem escrito e eu sou influenciável assim.
A Min e o Ed formam um casal diferente. Diferente clichê americano: ela é geek e ele é jock. Nerd e atleta que se apaixonam. E os dois são absolutamente gostáveis. Acho que isso contribuiu um pouco para a minha descrença quando o final infeliz chegou: eu não conseguia ver qual dos dois terminaria o relacionamento. Nem o porquê.
1:57 da manhã. Tô acordada. Definitivamente escolherei um livro de receitas da próxima vez que quiser algo que não me faça pensar na vida.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Acorda, menina!
Gosto de variar as músicas do meu despertador. Quando os dias são mais quentes, escolho músicas solares, que me convidam a ganhar o mundo lá fora. "My Sweet Lord" (que sempre vai me fazer lembrar de um episódio de Armação Ilimitada). "Clandestino". "Bonito", do Jarabe De Palo, quando estou exultantemente feliz. "My Pledge of Love" quando suspirar de amor é a última coisa que faço antes de dormir.
Por um tempo, um bom tempo, acordei ao som de "Daughter". Do John Mayer, não do Pearl Jam. Mas tratei logo de mudar - fiquei com medo de enjoar de uma música que eu acho doce. Durante meses a escolhida foi "Elephant Gun", uma das minhas melhores pedidas porque é calma e não me sobressalta.
Daí, o frio chegou. E frio pede jazz. E melancolia. É Chet quem tem cantado "Time after time" bem baixinho no meu ouvido desde ontem à noite.
Por um tempo, um bom tempo, acordei ao som de "Daughter". Do John Mayer, não do Pearl Jam. Mas tratei logo de mudar - fiquei com medo de enjoar de uma música que eu acho doce. Durante meses a escolhida foi "Elephant Gun", uma das minhas melhores pedidas porque é calma e não me sobressalta.
Daí, o frio chegou. E frio pede jazz. E melancolia. É Chet quem tem cantado "Time after time" bem baixinho no meu ouvido desde ontem à noite.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Um oferecimento de Draw Something
Ele: Como é balança em inglês? Eu esqueci.
Eu: Scales.
Ele: Lembro que é o nome de uma marca.
Eu: Vê se cabe.
Ele: Não.
Eu: Não?
Ele: Não é jogo.
DRAWSOME!
(Além de desenhar - muito mal, na maioria das vezes - escrevo recadinhos do amor!)
Eu: Scales.
Ele: Lembro que é o nome de uma marca.
Eu: Vê se cabe.
Ele: Não.
Eu: Não?
Ele: Não é jogo.
DRAWSOME!
(Além de desenhar - muito mal, na maioria das vezes - escrevo recadinhos do amor!)
domingo, 13 de maio de 2012
O dia das mães em duas imagens
Fui uma bebê bonitinha. Acho que os olhos são os mesmos. E o nariz(inho).
Vó Maria dizia que avós são mães duas vezes.
Deve ser por isso que a saudade que eu sinto dela é dobrada.
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